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Depois de mais de 90 minutos dentro da Arena da Amazônia, a Onça não saiu do 0x0 com o Brusque, no primeiro jogo da final da Série C do Brasileirão, e a decisão ficou para o dia 22, em Santa Catarina.
Garra amazonense
O time da casa parecia não sentir a pressão de sua primeira final por um campeonato nacional, e controlou a partida durante todo o primeiro tempo.
Mesmo com boas jogadas em velocidade, uma coisa chamou atenção, o trabalho do meio de campo. Ele praticamente não existiu durante boa parte dos 90, com ligações diretas por parte da Onça a todo momento.
A equipe Amazonense martelava, mas nada parecia efetivo. Durante escanteio Jackson escorou de cabeça, e Sassá, sozinho, mandou a bola para a lua.
Não faltaram oportunidades, mas talvez espírito de equipe. Com o passar do tempo, os atletas pareciam querer resolver o título de forma isolada, o que levou o Amazonas a perder um caminhão de gols.
Passes simples, para jogadores melhores posicionados poderiam ter resolvido a vida do clube amazonense. Talvez a chance de se tornar herói do título possa ter atrapalhado um pouco.
Problemas com o gramado
Não é de hoje que o gramado da Arena não apresenta qualidade adequada para jogos tão importantes e, comparado ao jogo contra o Botafogo-PB, no dia 7 de outubro, as condições pareciam melhores para o jogo contra o Brusque, mas logo ficou nítido o descuido com o campo, quando Sassá perdeu uma boa chance de gol ao escorregar num pedaço solto de grama.
Durante uma partida de alto rendimento, é comum que o ‘tapete’ fique avariado em alguns pontos, no entanto, foi visto uma enorme facilidade em danificar o frágil gramado, que a cada chute parecia se desfazer.

No intervalo do jogo, alguns cuidadores entraram e caminharam por todo o campo, pegando pedaços de grama e colocando onde faltava, e “firmando” a grama no solo com seus pés.
Quem acompanha o futebol amazonense já está acostumado com a desculpa de “Os show na Arena atrapalham, por isso o gramado está assim”, mas o estádio Vivaldo Lima não recebe shows em seu campo a mais de um mês, um tempo considerável para tentar dar um respiro ao gramado, que parece não conseguir se recuperar.
Outra preocupação era a fumaça das queimadas, que atormenta Manaus a quase um mês, atrapalharem o desempenho dos jogadores, mas felizmente a Arena não foi tão afetada com isso durante a partida.
Vai ou racha
Na volta do intervalo a partida ficou mais parelha, com o Brusque saindo da defesa e tomando mais a iniciativa, com jogadas agudas que assustavam o torcedor da onça da zona leste.
Como falamos antes, o Amazonas dominou o primeiro tempo, impondo um ritmo físico que não se manteve na segunda metade da partida, facilitando a saída do time sulista, que descansado, colocava os amazonenses contra a parede.
Mesmo assim, a defesa do Amazonas FC foi muito sólida, com Jackson e Alisson, que entrou ainda aos 21 minutos da primeira etapa, com a saída de Maycon, lesionado.
Jackson foi uma verdadeira muralha, comandando o combate corpo a corpo, ele vibrava e chamava a torcida a cada corte e bola tomada.
Alisson teve um ótimo desempenho, correndo a todo momento e pressionando os atacantes do Brusque, evitando jogadas mais perigosas, era comum ver ele subindo para marcar e voltando na mesma intensidade.
A torcida ansiava um gol de seu principal jogador da temporada, que tentava, mas não era o dia de Sassá.
Acostumado a marcar belos gols, ele tentou da entrada da grande área, por cima, chutes de curta e longa distância, mas parecia não encontrar o caminho das redes, e a falta de potência na partida também levantou questionamentos quanto à condição física no fim da temporada.
Visivelmente cansados, a Onça ganhou novo fôlego com a entrada do camisa 21, Foguinho, que deu o que faltava ao time, eficiência no último passe.
Ele não apenas deu velocidade ao time, mas construía jogadas perigosas e parecia passar entre os marcadores com enorme facilidade. Talvez sua titularidade mudasse a história do jogo.
O encontro de ‘Luizinhos’
Os técnicos Luizinho Lopes (Brusque) e Luizinho Vieira (Amazonas) , ambos ex-Manaus FC, se encontraram na final e fizeram um embate justo para as equipes.
Cada um com sua estratégia, os times comandaram a partida em diferentes momentos, e resta a eles pensar em novas estratégias para surpreender o adversário, afinal, apenas um deles será o grande campeão brasileiro da Série C 2023.
